quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Fulano de tal


a toque de caixa de 13".

domingo, 25 de novembro de 2012

Hecatombe


E fui destruindo tantos conceitos, quebrando tantas barreiras que hoje não acredito em mais nada, e só dou legitimidade para o que causa perturbação. E assim, transformando décadas em quarteirões, levantei um muro tão alto que já não existe madeira ou metal suficiente para construir uma escada para ver o que poderia observar por curiosidade, necessidade ou só desejo. Mas tudo bem, não acredito mais em nada disso também.


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Latrina insustentável

Estou tentando pela última vez, e nem foi mérito meu a possível conquista. Vivendo de pedaços, perdendo até mesmo meus possíveis passados. Que a vida é uma bagunça e um caos, todos devem saber. E tentar viver de maneira organizada é utopia das cabreiras. Sobre o que temos poder? Se te fiz tanto mal, de que adiantou você fazer do bem quase santo o seu mote?

Não existe nada santo que venha dos humanos, assim como bem e mal são novidades muito frescas para qualquer um absorver, e talvez não sirva para entender. Mas nos bares continuam a discutir os grandes pensadores dos séculos passados, cheios de pó e lodo. Soma-se novas criaturas dotadas do incrível poder de criar idéias e o caos fica mais lamacento ainda.

Isso é só um monte de letras, que nem tocá-las posso e talvez nem escrevê-las deva. Mas a minha cabecinha animal-humana-ocidental não consegue parar quieta. Duvido muito da verdade em quem está sempre feliz, de bem com a vida, tipo Xuxa. E também dou total descrédito a quem vive a onda do Edgar. É Renato Russo demais para o mundo, é muito alto astral e é muito de tudo.

Qualquer coisa que eu imagine, está transbordando. É muito conhecimento, é muita burrice, é muito rock, é muito silêncio. Muita gente produzindo muito e não fazendo nada, ao mesmo tempo.

Não sei quem está certo, e nem me importo com os maus exemplos. Leva-se muito a sério essa coisa romantizada de vida. E eu, meus caros senhores invisíveis, não poderia ser diferente de minha raça. Eu dou muito valor a todo tipo de merda que me convém. Pelo menos eu creio no meu bom gosto. Mas é meu, e é baseado em um monte de merda também.

Desculpem o mau cheiro do parágrafo de cima. Mas essa descarga não será dada.

E é fácil dizer um monte de besteiras, é fácil falar sério e é fácil ser santo. Difícil mesmo é ser pecador, essa delícia de vida.

E é tanta vida que eu vou ali vomitar e não volto.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Amanheceremos





"No mundo dos guerreiros, seppuku era um acto de bravura que era admirável em um samurai que sabia que foi derrotado, perdeu a honra, ou que foi mortalmente ferido. Isso significa que poderia terminar os seus dias com as suas transgressões apagadas e com a sua reputação não apenas intacta, mas na realidade reforçada. O corte do abdómen libertava o espírito do Samurai da forma mais dramática, sendo uma forma extremamente dolorosa e desagradável de morrer, e por vezes o Samurai que realizava o acto pedia a um fiel companheiro que lhe cortasse a cabeça no momento da agonia."

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Vinicius avisou

AGONIA

No teu grande corpo branco depois eu fiquei.
Tinha os olhos lívidos e tive medo.
Já não havia sombra em ti - eras como um grande deserto de areia
Onde eu houvesse tombado após uma longa caminhada sem noites

Na minha angústia eu buscava a paisagem calma
Que me havias dado tanto tempo
Mas tudo era estéril e monstruoso e sem vida
E teus seios eram dunas desfeitas pelo vendaval que passara.
Eu estremecia agonizando e procurava me erguer
Mas teu ventre era como areia movediça para os meus dedos.
Procurei ficar imóvel e orar, mas fui me afogando em ti mesma
Desaparecendo no teu ser disperso que se contraía como a voragem.

Depois foi o sono, o escuro, a morte.
Quando despertei era claro e eu tinha brotado novamente
Vinha cheio do pavor de tuas entranhas.

Vinicius de Moraes (Antologia Poética -15a edição, 1977)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Arrepios de sobriedade

As pessoas precisam parar de acreditar na grande ilusão de que a vida pode ser organizada e clara. Não, não pode. Animais racionais não sabem como organizar a vida do modo como ela está concebida. E não vai mudar. Não vai haver uma nova onda de energia positiva, era de aquário e outras guloseimas açucaradas.

Quando for a hora, quero ir com meu pai. Aqui não dá mais, não da forma como é.

Acredito no amor, mas descobri que o amor não pode fazer nada além de sentir. E sentir está tão fora de moda, mais do que dizer "bicho" ou "saca só".

Sacou, bicho?

terça-feira, 26 de junho de 2012

O torro ainda vive

Por conta disso, ou da falta de sabedoria na tarefa de lidar com isso, perdi as estribeiras, baguncei o coreto e agora fica mais difícil sair do lugar característico dos loucos.

http://www.youtube.com/watch?v=edeBUy5ap3I


O Torro, ele está no meio de nós.

Detail page



http://www.youtube.com/watch?v=5-esKrwuVRw&feature=player_detailpage#t=98s

Pigs on the wing pt 2


Mariana e Leonardo tocam baixo

Sabe co-piloto? Então, se você é bom na direção não precisa de um. Mas se você é bom mesmo vai querer muito um. Ou dois.


Ensaio sobre os alguns minutos

Prelúdio:

‎(estava escrevendo a famosa "dissertação pós bar e pré padaria, por conta do horário, quando ao tentar imprimir o artigo primeiro recorri ao agora famigerado ALT 167. Comando que apagou tudo o que eu havia escrito, e que poderia poupá-los de todo esse arrastado parágrafo.)

Só CTRL+A CTRL+C salva. 

Dito o dito, só tenho o direito de levá-los ao Lixeira Reciclável.




Lustre

Para Ouvir No Rádio (Luciana)

Jorge Ben Jor

Eu vou fazer uma canção singela
Pra você se lembar de mim quando ouvir rádio
Em ondas médias em ondas curtas
E freqüência modulada pra você se lembrar de mim
Quando ouvir no rádio

Mas se você não puder ouvir
Por falta de tempo ou por falta de rádio
Alguém há de passar cantando assobiando
Perto de você
Mas se depois disso tudo
Você não conseguiu ouvir
Porque não quis ou por algum problema
Subirei descerei o morro novamente
Como um guerreiro vencedor
Cantando o meu hino de amor

Luciana, Luciana, Luciana
Luciana, Luciana

O tapinha final
(que poderia ser escrito no iníco, se você veio pelo post da rede social)
Estava a escrever o artigo primeiro, assim sem ALT 167. Mas se não posso me lembrar do tal artigo, tenho que continuar a prosa com alguma trama.

Jorge Ben é um daqueles fenômenos naturais que atingem as pessoas. Para mim é Jorge Ben o tsunami do momento, o vídeo que explode, a paixão que rasga e o sabor como que de novo, mas que é velho conhecido. 

Jorge Ben é meu mais antigo amigo de infância, e Jorge Ben também inaugurou mais um parágrafo, com acento e sem cópia oculta. 

Gosto de ter disponível a opção de usar cópia oculta, a opção de trocar uns trocados por alguns litros de combustível, para depois poder andar por onde quiser. Gosto de ruas sem saídas, me encanta o som que a caixa de câmbio faz quando engatada na marcha ao revés.

Gosto do revés, tanto que revés tomou espaço do Jorge Ben. 

Porque sigo escrevendo com dois ou três retornos entre os parágrafos?
Ah! comprei um maço de cigarros classe A, versão "café da manhã". Já era hora de trocar aqueles cigarros fracos e covardes.
E as clássicas cervejas de auto-posto abastecem o condutor.

Conduzo os textos, a banda e as bandas. Além do veículo.

De resto, sou um paspalho de marca maior.

mas o resto pode ser qualquer coisa menor, e é.



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Passagem


No sonho ele viajava em sua nave que construiu com a união de materiais vulgares e também preciosos, usados especificamente para esse fim, o de explorar o espaço. Sua velocidade era de trezentos mil quilômetros por hora, e assim bem devagar ele viu alguns planetas vizinhos ao de sua terra atual, e também sóis muito maiores que qualquer esfera já imaginada pelo homem, essas bem distantes e rápidas para se alcançar. De todas as lembranças, a de Júpiter é a que mais lhe deixou admirado.

O Cosmonauta que passou - Warsteiner Pledger



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boto cor-de-bromélia

Perdi uma banda, abandonei outra.
Abandonei uma mulher,
perdi outra.

Disparate




Urba imensa
Pensa o que é e será e foi
Pensa no boi
Enigmática máscara boi
Tem piedade
Megacidade
Conta teus meninos
Canta com teus sinos
A felicidade intensa
Que se perde e encontra em ti
Luz dilui-se e adensa-se
Pensa-te

Ducros, o caminhante noturno



"‎...heridas viejas, encubiertas por heridas nuevas. Siento la sangre que me brota en la cara, siento el miedo y la alegría de existir sobre este piso y este cielo. Veo todo, pero todo es poco.. tengo que dar mas un paso hacia la muerte pues estoy vivo y este es el abismo de pensar y sentir."

Ezequiel Ducros

A violenta contribuição do silêncio para a evolução humana


Prelúdio

"A dollar bill inside the compact disc box remains the peace that one can  reach through time and forgetfulness."

É preciso olvidar, e fazê-lo com sabedoria. Esquecer o que necessita ser esquecido com exatidão, o objeto do esquecimento,  para que na hora exata venha à tona com justa potência.

Treino classificatório sobre o objeto do impulso


Não me resta nenhuma dúvida de que o silêncio é bem maior que o ruído, o barulho e o estribilho. Quem usa a voz de maneira exagerada no discurso é menor. Quem usa muita distorção ou é muito bom ou está muito aquém do vácuo físico. Quem não fala nada também.

A cidade é barulhenta, e incomoda. Há quem não perceba ou sinta, mas o incômodo é gratuito e alcança a todos, sem exceção.

A cabeça do homem de hoje nunca foi tão cheia de barulho, que os olhos sentem e a pele já não sente mais.

Se segura, malandrão. Pra fazer barulho tem hora. E pra fazer barulho bem feito mister se faz viver do silêncio, e fazer da vida um grande ouvido surdo e elitista.

Dois acontecimentos marcaram meus escutadores até hoje: o primeiro show ao vivo do MDK, banda de grande barulho de minha terra natal e atual,  e a canção "Me deixe mudo", de Walter Franco.

E não há nada como ficar quieto com a cabeça, enquanto os receptores auditivos se abrem como a dama-da-noite embaixo dos inúmeros fícus que povoam silenciosamente as cidades do interior paulista.









segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quase sem fio

...porque para cantar é necessário amplificar, amplificar e amplificar.



Freedom Day - Max Roach


Whisper, listen, whisper, listen. Whispers say we're free.
Rumors flyin', must be lyin'. Can it really be?
Can't conceive it, can't believe it. But that's what they say.
Slave no longer, slave no longer, this is Freedom Day.
Freedom Day, it's Freedom Day. Throw those shackle n' chains away.
Everybody that I see says it's really true, we're free.
Whisper, listen, whisper, listen. Whispers say we're free.
Rumors flyin', must be lyin'. Can it really be?
Can't conceive it, don't believe it. But that's what they say.
Slave no longer, slave no longer, this is Freedom Day.
Freedom Day, it's Freedom Day. Throw those shackle n' chains away.
Everybody that I see says it's really true, we're free.


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Whisper

Diga que eu não sei de nada

...nem posso saber.



Como por encanto

Paulinho Nogueira

Sou aquele que um dia,
não sabendo bem onde chegar,
já em meio do caminho, parou
parou pra pensar.
Foi quando uma sombra amiga
a meu lado projetou-se então
mesmo ainda indefinida
amenizou a minha solidão.
De repente, uma voz me dizendo:
- vim pra ver o que é que voce quer,
foi daí que, como por encanto,
aquela sombra se fez mulher.
Eis meu coração em festa,
como alguém que acorda, chora e ri,
olha as pessoas de frente
Já sabe dizer: estou aqui!
Quis até fazer um verso,
como reprimir tnata emoção?
Libertei meu pensamento,
abrindo espaço à imaginação.
Olha eu voltando atrás no tempo,
numa rua antiga fui parar
na calçada um pião jogado
sonhando um dia poder rodar.
E pra nova companheira
hoje eu digo com carinho, então,
que ela puxou a fieira
e rodou o meu pião.