Acaba um litro,
corro e abro outro
mais forte.
Caderno sem espaço,
invento novas folhas
com tinta de soluço.
Finda os olhos,
busco seus cabelos
de olhos fechados.
Começa a convenção,
derrubo a tradição.
E secando a alma,
lavo o coração.
Acaba um litro,
corro e abro outro
mais forte.
Caderno sem espaço,
invento novas folhas
com tinta de soluço.
Finda os olhos,
busco seus cabelos
de olhos fechados.
Começa a convenção,
derrubo a tradição.
E secando a alma,
lavo o coração.
Eu mar
Você, terra casa
Vou descalço,
Você calça
Eu caço
Eu apanho
A casa chama
E apaga
Você âncora
Nós desatam
Eu remo
O mar arrebenta
Eu céu
Você lua
Ele nuvens
Nós magnéticos
Eu rio
Ele água
Ela nada
Nó de nós
Sujeito primeiro
Sujeita
O seu jeito
De singular
O mar de mim
Aos nós de alma
Suas velas
De nós a casa
11 anos de lixeira. O caderno mais reciclável (e sendo assim, o mais duradouro e preservado que possuo) da semana.
Mixturação
Walter Franco
O raciocínio lento,
O poço, pensamento,
O olho, orifício,
O passo, precipício.
Eu quero que esse teto caia.
Eu quero que esse afeto saia. Eu quero que esse teto caia.
Eu quero que esse afeto saia.
Em vermelho natural,
Com gosto de água e sal,
No rosto e no lençol,
Misturando o bem e o mal.
"Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade"
Bom conselho, de Francisco Buarque.