sábado, 15 de maio de 2010

Sem revisão

Morrer de dor
ou Sonho número 2 de 14 de maio de dois mil e 10.
(Pernas claras da perdição)
ou ainda:
Ao amor (será que é)


1

Estava livre dos rastros sujos
nem em sonho eu me dobrava
E numa noite fria eu vi a estrada
Que feito o dia claro transpareceu
Você estava distante. Éramos dois desconhecidos
E os três brindaram a noite, fizeram fogo no seu quarto

Não era tarde quando percebi
que sua sedução barata iria me atrair
Suas belas pernas, seu vestido preto quase
desnecessário.

A fala mansa e a pele clara dessa vez se calaram
diante da constatação:
Não sou mais seu querido, seu cafajeste podre e imundo
Não caio mais entre suas pernas claras.
Feche-as e e vá embora, para nosso bem.
Vá fazer mal a outro que ainda te quer bem.


2

Suas mazelas me cansaram
E nem por suas pernas eu me deito mais
Ao seu lado eu vi a morte, triste fim
da pobre mosca agora presa em sua teia;
bate as asas mas não voa.

E logo vai morrer, E assim
tentando se livrar vai morrer.

Não, eu entendo o mecanismo de atração
sustentando pelo odor da falsidade.
Sim, eu não beijo mais seu corpo.
Tu não entras mais em minha carne,
que é pedaço de alma.

"Feche suas pernas, cubra-se
e vá embora."
Dito isso saio de sua casa
e encontro abrigo no que sou antes.
Depois ouço uma canção e ando
pela mesma estrada.

Vá embora, para nosso bem.
Vá fazer mal a outro que ainda te quer bem.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Bloco de notas

Rolândia, 28 de abril de 2010, quarta feira

Quarta feira sem hífen, sem hímen e quarta-feira de jazz em um bar em Londrina, o Valentino. É cedo ainda (19:48 no pc). Acabo de sair do banho, abrir a porta do chalé e, além da Cristina que toca aqui, ouvir a chuva leve e breve que cai na grama iluminada trazendo um vento um pouco mais frio aos meus pés mordidos por um inseto feroz, e castigado por acidentes no pé da cama. Parei de digitar e comecei a batucar nos joelhos o Padre Cícero. Mas ninguém até hoje afirmou. Era um triste dia, pois alguém jazia. Cego, surdo e pobre: desse jeito faleceu o nome da canção. Pé no chão, dizia minha mãe, é dar bobeira para gripe e resfriado. Pé no chão é tomar banho, sair dele e continuar pensando na antítese maiúscula que é esse trabalho abençoado e essa condição de artista amaldiçoado, que faz desse trabalho uma maldição e da música um sofrimento maior do que ter todos os seus queridos humanos assassinados a sangue frio por traficantes de crack e filmadores de pornografia geriátrica "hardcore". Queira sorrir! É permitido. Faça umas orações uma vez ao dia, depois mande a consciência junto com os lençóis para a lavanderia. Isso é Tom Zé, e isso é não usar aspas para citar autores. Autores, que piada! Quem é autor? De que o suposto autor é dono? Não sou dono de nada, e não aceito ninguém ser dono de alguma coisa. A gravata já me enforcou, amém com eme ou ene. Um ou dois ou mil espaços   depois do ponto. do . o. fato é que todo mundo precisa mijar. E ninguém necessariamente faz xixi. Eu vou. Acabei de fazer xixi e mijar ao mesmo termo e matei quase afogada com RAID açao total uma aranha bem grande, no tapete em frente à porta de madeira do chalé, de onde estou em frente.

Vou pedir à meu pai para ir a à á Londrina com o carro no Valentino, e uns  20$, caso dê certo. Senão, vou discar 9 e pedir umas 4 latas e talvez uma dose quente para esquecer da condição e dos parentes da aranha morta bem aqui na minha frente.


PUTA MERDA! "Se vale a pena", de Trupé, é muito boa, meu!

não rolou o carro. comi três fatias de salame (que vão me fazer mais mal do que ácido lisérgico genérico) e disquei nove para duas cervejas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cansaço

Medíocre. Assim me senti e assim foi o último show da minha "banda". Assim fui eu. A banda deve ter tocado bem. Agora é lei: eu me cansei dessa merda toda. Só vou fazer o que gosto com a minha música. Só vou emprestá-la a quem eu quiser. 
Não vou mais sair de casa para tocar o que não sinto. Não faz sentido, já que não é um trabalho, mas dá muito trabalho. E não falo sobre carregar as "tralhas" de 200 quilos nem montar tudo no sol de torrar pedra. É o cansaço espiritual que me fez chorar a alma no último domingo e pensar em atirar os tambores da bateria contra a parede e lavar o cérebro para me esquecer de que um dia fui músico. 
Me sinto mais perto de mim em casa, ouvindo o "titio" Arnaldo Baptista ou as merdas que ouço, do que tocando para 50, cem ou mil babacas e alguns bacanas. 
Não é nada pessoal, e é tudo pessoal. Tô caindo fora do que não me agrada. "Ah, mas não te faz mal". Foda-se. Vai ter que fazer bem, muito bem. Vai ter que ser capaz de me fazer querer carregar essa jaca toda a pé só para tocar um compasso. 
E sim, serei mais chato ainda, obrigado.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cristais de gengibre se passam por cigarros.
Os dedos acalmam o nervo,
e o filme finge ser a noite de diversão.
Isso aqui está ficando sem graça para caralho.
Tudo isso aqui.

Chato e fresco

Gosto de passar bastante tempo comigo. Sempre fui de andar e pensar sozinho, mesmo com muita gente por perto. Não sou do tipo que promove o debate. Eu discordo, mas digo que concordo só para não ter que tentar explicar tudo o que penso. Cada vez mais sou menos compreendido, e deve ser assim com todo mundo mesmo.
Há alguns dias saí para caminhar um pouco, e o que seria um passeio rápido se transformou em uma maratona de quase 15 quilômetros. Não me cansei, pois parei de fumar há quase um mês. Não queria parar de andar. Estava sozinho com minhas idéias, e feliz por ser assim. Acertando ou só vivendo, aprendi a gostar de minhas idéias, de conversar comigo. E vejo que eu só me "dou bem" realmente comigo.
É um tanto quanto estranho e consolador ao mesmo tempo saber que cada vez mais me entendo melhor e que cada vez menos me compreendem. É estranho, e só.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Split myself in two


Angústia
(João Ricardo - João Apolinário)



Agonizo se tento
Retomar a origem das coisas
Sinto-me dentro delas e fujo
Salto para o meio da vida
Como uma navalha no ar
Que se espeta no chão

Não posso ficar colado
A natureza como uma estampa
E representá-la no desenho
Que dela faço
Não posso
Em mim nada está como é
Tudo é um tremendo esforço de ser

Dois anos e duas semanas

Dia 19 de fevereiro de 2008 eu voltei para a casa dos meus pais. Havia acabado o carnaval, e na minha vida só cinzas e dores em cartaz. Estava cavando uma sepultura não só para meu corpo, mas também jogando terra nos meus sonhos e levando dor a pessoas tão queridas. Não foi só maldade, eu sei. Mas o balanço final não foi agradável.
Aprendi muita coisa, vivi novas e excitantes experiências, caí nos mesmos erros, tentei reparar outros erros com outros personagens, me martirizei, me livrei do passado e continuei andando. E continuo não medindo a vida através de meses, anos ou horas. Percebo as mudanças através de atitudes e como eu penso e reajo diante dos fatos. Uma mudança específica me deixa feliz, porém não convém comentar aqui. Posso dizer que o maior tormento da minha mente foi vencido, e tendo sido expulso da minha vida, levou outros consigo.
Experimentei a tal "liberdade" que todo pós adolescente quer tanto, que é sair das asas dos pais. E hoje, tendo voltado para elas, me sinto bem e não me desespero mais para ter o meu canto só meu. Meus pais são meus amigos, e há dois anos quando eles vieram para Jundiaí, precisavam de um filho, de um amigo com eles. E eu deixei-os partir, sozinhos e em uma situação completamente carente de ajuda. Pensei em mim, e no amor que me movia. Não posso mais fazer isso. Não sou mais tão egoísta.
Descobri que não tenho controle do mundo ao meu redor, só de mim e vez ou outra nem de mim. Mudanças estão acontecendo, e sempre será assim. Aceitar a vida como ela é: isso sim é um desafio que deve ser cultivado e bem aprendido, pois será assim sempre.
Há dois anos eu já sabia de muita coisa, e desconhecia o real significado de muitas delas. Continuo a saber de muitas e outras, e ainda não sei de quase nada. Então, aceito o desafio de viver. Quero esquecer e aprender, tentar e contemplar, gostar e esquecer e viver e viver.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Raw music




E sempre gostei de música clássica (graças a meu pai), e há alguns anos ouço jazz. Fico impressionado quando o som (ou o personagem) é tão bom que não precisa de palavras, e ainda assim grita (ou sussurra) emoções.

Batuque para chamar chuva

Hoje toquei bateria. Montei meu instrumento ontem, e como sou apaixonado por ele, não resisti e acompanhei  "NYC Carnigie Hall - Dave Brubeck Quartet" no fone de ouvido e nas baquetadas. Música boa, harmonia em casa (apesar dos trovões), cerveja do lado e espigas de milho com mamma fizeram um prelúdio para a chuva boa que cai agora.

Sempre gostei de chuva. E assim como as horas que me perseguem com números iguais, a chuva cai sempre que algo importante acontece no meu momento. Bom ou ruim. E entendo melhor meus momentos. Melhor porque quanto mais o tempo passa menores vão ficando os problemas e as tensões do antes, e o que é verdadeiro e cria raízes é visto facilmente.

Estou atingindo alguns objetivos, outros estão atrasados e alguns nem saíram da cabeça ainda. Mas estou andando e isso é o que importa. Porque de muitas coisas (a maioria delas, creio eu) não temos o controle. Diante da vida, dos bilhões de anos do nosso "papel de parede", das frágeis ligações entre nós, os auto intitulados sapiens, não somos senhores de nossas previsões. Somos sim, donos de nosso rumo, mas como chegaremos à ele, é um mistério que Deus -a Natureza-  nos privou saber, e que para mim é um presente que carrega novos tons, sons e cores.

Quero exaltar o que é belo, e só. Dentro de mim, volto a ver o mundo dessa forma. E quando essa energia transbordar, Deus - a Natureza-, brindará meu destino com o tempo.

Tempo é tudo o que precisamos para aprender, para errar e consertar. Para calar e para falar. Para falar o que não pode ser ocultado. Para calar por discernir quando falar. Para falar o tempo todo comigo, sozinho, em matilhas ou em dupla.

E sempre termino falando de tempo. E sempre começarei. E nunca...não existe nunca e nunca existirá.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Barulinho Bom



Descobri essa banda há poucos dias, e achei bem interessante o som deles. Adoradores confessos de Pink Floyd (já gravaram um cd de dubs de "Dark Side"), o som deles é classificado como psicodélico alternativo. O disco é "At war with the mystics".

domingo, 27 de dezembro de 2009

A falta

Será que conseguirei concluir alguma tarefa sem falhar alguma vez na vida?
Será que serei um músico, ou só um cara que já foi?
Será que já foi?
Acho que sim.
Sim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Fotografado baixista do Led Zeppelin fora dos palcos!

Corro em direção ao fim. Meus sonhos mesquinhos foram triturados e reduzidos a pó. Eu já não espero que as coisas melhorem, embora pense em reagir só pela minha família. Caí do cavalo e por enquanto estou tetraplégico. Minhas pernas tremem e ainda assim acabei de apagar mais um cigarro. Tiro a camiseta. Está quente. Anuncio com todas as letras (a íntegra no meu caderno de anotações) meu fim, e já não me arrisco por prazer.

Como pode tudo mudar tão rápido, e com tanta violência? Como posso me entregar dessa maneira, tendo muita sorte nessa vida? Como posso não chorar dizendo isso? Ah, isso acho que sei explicar. Eu choro por dentro. Estranho isso, mas a tristeza é tão grande que ultrapassa as lágrimas. Essas já não são suficientes, e são na maioria das vezes vaidade. Tristeza mesmo, agora sinto, é chorar lá no mais alto da alma.

Quase tudo se tornou um grande amontoado de inutilidades e irrelevâncias. E me entrego completamente a esse mecanismo, esse de gastar quase todo nosso tempo com tarefas necessárias e sublimar o sonho, as diversas cores que só vejo quando estou disposto a contemplar.

Troquei de óculos. Mudei de lado e mudaram meu nome. Vou e volto. Escrevo a lápis. Parei mais um livro na metade. O violão aqui ao meu lado tornou-se um móvel invisível. As peças estão espalhadas e são vendidas de graça pagando-se caro por elas.

" Godsend ", se existir, que bata na minha porta e me leve para um sorvete.

Entreguei o jogo, e sozinho vou perder o restinho de dignidade que deve estar em algum canto por aqui.

Meu farol não ilumina mais as minhas trevas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sábado, uma letrinha


Guaranteed, de Eddie Vedder. Composta originalmente para o filme Into the wild. Ok, estou puxando o saco do cara e do filme, mas é muito bom mesmo. E essas canções estão se apresentando a mim -uma por uma- em momentos muito especiais e dignos de serem registrados.


Letra (e tradução) aqui.


Foto: Entrada de Sud Mennucci.  Em cima desse troço eu costumava ficar horas sozinho.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Grande Encontro




"Seja seu próprio convidado, e dê festas homéricas quando encontrar uma paixão." Weidell na Av. Rebouças voltando do trabalho.


Isso é estar apaixonado, isso é estar apaixonado pela vida. Isso sou eu nas épocas em que mais me gosto. Isso é a antítese de toda a insanidade inconstrutiva das noites insanas. Isso é acabar de abrir mais uma cerveja pelo simples fato de estar bem, e não querer enlouquecer através de coisas efêmeras. Isso é não ter vaidade, e mesmo assim se aproveitar dela para se sentir bem. Isso sou eu nos meus melhores dias. Esses são os dias de quem quer viver. Esses são raros. Isso é mais que acento, mais que espaços entre parágrafos. Isso é dar atenção aos espaços. 




Esse sou eu, e eu me encontro nele.  


Ou sim.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sábado, uma letrinha

Society, de Eddie Vedder (original e tradução). Essa música está na trilha sonora de Into the wild.


 "...e quando você pensa mais do que quer, seus pensamentos começam a sangrar."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Passagem

Como canta Cohen em uma de suas belas músicas, "blessed is the memory". Abençoada seja a memória, que,  se por muitas vezes nos assola e junta-se ao tempo para bem diante dos nossos olhos (abertos ou fechados) fazer uma tempestade sem fim, nos brinda com todos os truques, verdades e soluções que aprendemos nos difíceis tempos e que nos são muito úteis no tempo presente. Não existe tempo presente no plural. O tempo é um só, e o que muda é seu tamanho e sua dimensão para nós.

Amar é arriscado. Não digo e nunca disse para mim palavrões e insultos aos possíveis futuros amores, e nem fugi ou me guardei propositalmente.  É arriscado, é extremamente recompensador e provoca alegria, dor e os dois ao mesmo tempo. É necessário. E é necessário saber esperar. Saber ouvir as notas desconhecidas com os olhos fechados, e não acordar no meio da serenata e estragar tudo.

Estar preparado para o amor não é item obrigatório. Mas depois que aprendi algumas poucas coisas, sinto em alguns momentos que me tornei forte. E quanto mais eu aprendo mais eu corro riscos. Risco de não fazer, de não ser, de não estar. Arriscar-se custa mais caro hoje em dia. E pequenas possíveis homéricas dores de cabeça do dia a dia são poupadas com o mínimo de esforço, e isso eu considero sublime.

Tendo eu feito um "diagnóstico" que considero preciso sobre meu grau de envolvimento (em qualquer envolvimento, que fique claro) direciono meus esforços, pensamentos, músculos ou qualquer outro item necessário ou não para aquilo. Ou para outro aquilo.

Hoje me conheço muito mais, e considero isso, ao menos isso, uma forma de evolução. Por pensar assim, exijo bem menos dos outros. Claro, há o mínimo de exigência para se ter um conforto razoável e valer a pena. Conhecer bem o meu lugar e meu papel onde quer que eu esteja tornou-se a prima meta em meus relacionamentos, sejam eles com carteiros, poetas, meninas, moças, mulheres, senhoras, homens, amigos, cachorros, de cinco minutinhos, para a vida toda ou durante uma música, de branco e preto, com brilho, distante ou aqui do lado.

 Por isso e tudo ou nada mais, puxo o freio de mão.

 E saio (ou entro) contente, por ser eu. Bom ou ruim, assim ou assado, sou eu quem pensa por mim. Sou eu quem é assim, e não carece de todo mundo ser igual a mim.

domingo, 11 de outubro de 2009

Breve histórico resumido de todo o meu tempo vasto



Quanto mais o tempo passa, mais eu me dou conta de que vou ficando mais sozinho.
Mas não faz falta o tempo que não foi vivido. Falta faz é o tempo que não é esse tempo.
Esse, que de tempo em tempo chega como um viajante imundo em um dia de chuva forte, não é companheiro de muitas horas.
Hoje sei aproveitar esse tempo cinza claro. Não blasfemo nem tolero uma alegria forçada - e consequentemente medíocre- para me afastar do cinza. Como uma nuvem segue viagem no céu, e não vemos o vento levá-la, vou respirando, fumando, bebendo e me recolhendo até que nasça o novo. O novo, que não significa bom a um prazo longo. Mas o novo deixa o velho para trás, e por vezes é só disso que precisamos.